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Sete em Portugal. Bruxelas preocupada com ataques dirigidos a refrigeração de supermercados

Sete em Portugal. Bruxelas preocupada com ataques dirigidos a refrigeração de supermercados

A União Europeia diz-se "profundamente preocupada" com a pirataria que está a afetar supermercados por toda a Europa. O último caso foi em Portugal.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Johan Nilsson/TT News Agency/via Reuters

A União Europeia está preocupada com a pirataria consecutiva em vários supermercados. O último caso foi em Portugal, com um ataque informático ao Intermarché a desligar frigoríficos em sete supermercados. Em alguns casos terão aumentado a temperatura para níveis próximos dos 30-40ºC.

Esta onda de ataques aos sistemas informatizados das câmaras frigoríficas dos supermercados começou em França há cerca de três semanas.

No caso de Portugal, esta segunda-feira terão ficado estragadas várias toneladas de comida depois de os piratas informáticos terem conseguido entrar no sistema informático e desligar frigoríficos e congeladores durante a noite de domingo e a última madrugada.

Trata-se do mesmo modus operandi posto em prática em França há três semanas e que afetou mais de 300 supermercados.

Entretanto, a Comissão Europeia já veio classificar como "profundamente preocupantes" os ataques informáticos a sistemas de refrigeração em supermercados de vários países da União Europeia (UE), como Bélgica ou França, defendendo o reforço da resiliência da cadeia de abastecimento alimentar.

"Levo muito a sério as notícias relativas a incidentes informáticos que afetam empresas do setor do retalho em vários países europeus. A ocorrência repetida destes ciberataques é profundamente preocupante", assinalou Christophe Hansen, comissário europeu da Agricultura e Alimentação.

Numa nota escrita enviada à agência Lusa, o responsável europeu pela tutela considerou estar em causa uma "tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar [da UE] e de comprometer a confiança dos consumidores na mesma".

"Um sinal de alerta que devemos levar muito a sério", salientou.

Frisando que a segurança alimentar da UE "não está atualmente em risco", Christophe Hansen admitiu que "o desperdício alimentar e o impacto nas empresas são reais".

"A segurança alimentar não consiste apenas em produzir alimentos em quantidade suficiente. Trata-se também de garantir que a nossa cadeia de abastecimento alimentar permanece resiliente perante ameaças novas e em constante evolução", elencou.

Por essa razão, "continuarei a acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos e a procurar obter uma visão global dos planos de preparação de que os retalhistas dispõem para responder a este tipo de incidentes" e "abordarei igualmente esta questão com os meus colegas comissários na nossa próxima reunião", assegurou Christophe Hansen.

Nesta declaração enviada à Lusa, o comissário europeu da tutela frisou que "o reforço da resiliência exige uma abordagem coordenada ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, desde os grossistas e operadores logísticos até aos retalhistas".

"Temos de garantir que todos os elos desta cadeia estão preparados para resistir às ciberameaças e responder às mesmas", adiantou.

Também numa resposta escrita enviada à Lusa, a porta-voz do executivo comunitário para a área da Agricultura, Louise Bogey, indicou que a instituição tem conhecimento destes incidentes, que "demonstram que os ciberataques podem perturbar a prestação de serviços, afetar as empresas e ter um impacto direto na vida quotidiana dos cidadãos".

De acordo com a responsável, a UE "dispõe de vários instrumentos para responder a este tipo de incidentes", desde logo através da Rede Europeia de Organizações de Ligação para as Crises Cibernéticas, que permite coordenar a gestão de incidentes e crises de cibersegurança em grande escala, facilitando a troca de informações entre os Estados-membros e as instituições europeias.

Entre outros instrumentos na UE estão o Regulamento Ciber-Resiliência, que reforça a segurança dos produtos digitais, o Regulamento Cibersolidariedade, que melhora a capacidade de resposta a ciberataques, e a Diretiva NIS2, que estabelece regras de prevenção e gestão de riscos informáticos para setores essenciais e importantes.

c/ Lusa

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